Meu trabalho é uma tentativa de materializar a passagem invisível do tempo, principalmente a fugacidade dos eventos cotidianos e da presença humana.
Capturo os momentos espontâneos e naturais das pessoas para observar o momento que já não existe mais.
As pinceladas longas e contorcidas respondem como um borrão temporal, e dissolvem as formas para sugerir que o momento está escapando, escorrendo, bem na nossa frente.
Li muito sobre os expressionistas, sendo Edvard Munch e Egon Schiele os artistas que mais converso. Seja na manipulação de Munch das cores para expressar os sentimentos no quadro quanto às distorções corporais de Schiele, que exibe corpos amassados e angustiados. Tais artistas me inspiram a explorar quanta carga emocional posso atingir com a alteração das linhas e cores.
Por conta disso, minha pesquisa trata da passagem do tempo e de como somos efêmeros, mas vibrantes, dentro dessa convivência rotineira com o que está em constante movimento.
Aqui está meu trabalho mais recente, que registro a passagem do tempo no dia a dia, em situações extremamente rotineiras.
Antes de pintas as pessoas representadas, eu as fotografei, algo diferente do que fiz nas telas anteriores. Com a fotografia, pude registrar a postura despreocupada, as expressões faciais sinceras e movimentos naturais e passar para a tela com o desenho. Da mesma forma, brincar com a possibilidade de parar o tempo por aquele instante é fascinante.
Esta coleção é uma tentativa de aproveitar o momento mais um pouco, de fazer cada segundo durar um pouquinho mais.
Inspiradas nas máscaras japonesas do teatro Noh, essas cabeças representam não deônios e personagens folclóricos, mas pessoas.
São peças recortadas em pinus, preparadas e pintadas. O formato orgânico ressalta o movimento das pinceladas e a expressão do personagem.
Cada cabeça tem nome, cada cabeça tem o que carrega dentro e fora de si, como desejos, medos, paixões e loucuras.
Essa coleção é uma celebração da individualidade e da liberdade criativa.